Série Billions - Showtime



Billions não é uma série sobre os bastidores de Wall Street  ou sobre as imperfeições dos sistema financeiro americano. Esse é só o pano de fundo.
A série é uma espécie de biografia bem pesquisada sobre as personalidades do topo da pirâmide social americana.

De uma lado, Chuck, Procurador-Geral e estrategista nato, que tem hábitos peculiares fruto de sua criação na high society americana.  O perfil analítico de Chuck foi lapidado pela educação elitista de internatos, campeonatos de xadrez e o preciosismo que nutre com sua coleção de volumes da “Memórias Da Segunda Guerra Mundial” de Churchill. Seu perfil controlador é aliviado em sessões de boundage e seu ternos de alfaiate são uma forma de armadura emocional, como ele explica a sua esposa, Wendy.

Já Axel, inspirado no gestor de sucesso meteórico Steve Cohen, encarna o já batido porém louvado mito do self made man, forjado em hábitos simples como comer a pizza mais deliciosa do Queens, salpicados por uma ambição feroz e uma agressividade que só um show do Metallica ou os investimentos de riscos podem aplacar.

Billions seria mais uma  série a cair no limbo do pragmatismo misturado a argumentos sisudos, que me fizeram abandonar séries como House os Cards, se não fosse uma personagem: Wendy. 
Ela é uma psiquiatra que trabalha como coach no hedge fundo de Axel. É a personalidade mais enigmática da série, menos previsível e mais interessante. 
Enquanto coach nunca utiliza de subterfúgios fáceis ou cai na auto-ajuda barata para ajudar seus pacientes. É uma mulher bem-sucedida, que  ganha mais que o marido e participa de suas fantasias como dominatrix, mas sempre hesitante. Os raros momentos em que parece segura e forte são quando responde a altura as alfinetadas de Lara, a esposa ciumenta de Axel.
Mas mais do que isso, Wendy representa um novo perfil de pessoas ambiciosas e que alcaram o sucesso não pela via do poder, mas da sutileza e discrição. Enquanto Axel e Chcuk são dois machos-alfa em busca de status, ela demonstra que não é preciso um grande ego ou combustíveis como vigança para se destacar.

A série aborda temas como: significado do trabalho, criação de filhos que têm tudo, e toda a gama de sentimentos das pessoas bem-sucedidas. Num dos episódios Axel mostra porque não vai curtir a vida com a fortuna que conquistou, em outro Chuck conta como um experiência na infância o tornou manipulador.
As teorias mais modernas de ciências sociais aplicadas estão todas lá: desde o dilema do prisioneiro e teoria dos jogos até às elegantes  teorias de Nassim Taleb, o Nietzsche de Wall Street.

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