Série Lodge 49 - Amazon Prime
Há meses estava indecisa entre manter a assinatura do Amazon Prime ou não. Tentei algumas opções de série, mas algumas ou eram forçação de barra futurista (American God's) ou bons enredos datados e cansativos (Damages).
Até que num momento de puro zapear despretensioso eis que surge: Lodge 49.
A série aborda apenas: a despretensão em letras garrafais e episódios de longa duração.
Em um mundo cheio de sinopses mirabolantes, com tramas para todos os gostos e destaque especial para as que fazem bom uso de suspense, nos deparamos com algo totalmente inesperado: um roteiro construído em situações triviais e sequências mais prosaicas do que a novela as seis. Mas a graça se encontra exatamente ai, em curtir cada personagem em seus desafios diários e em suas buscas por um sentido maior, ainda que seja através de algo simples como lidar com o desemprego, uma dívida esmagadora, ou uma rotina massante.
Os personagens são variados e todos tem em comum o fato de tentar extrair o máximo de suas rotinas. Curtir a jornada mais do que o destino da viagem pode ser visto como um mantra, que pula direto dos livros de auto-ajuda para os dias normalíssimos e muitas vezes sem graça de cada um deles. Mas enquanto os gurus de auto-ajuda proclamam o poder de profissões vocacionadas, grandes romances ou qualquer mudança drástica, a série borda a vida comum com uma dose de misticismo romântico, quase ingênuo. É sobre o poder ver o que ninguém mais pode ver, no cotidiano e banal.
Uma sociedade secreta e os segredos da alquimia são apenas um verniz nessa busca deliberada por sentido. O personagem Brent Jennings ao questionar sobre o porquê de buscarmos tanto unicórnios quando temos rinocerantes, filosofa bonito sobre a capacidade de ter olhos que enxergam o especial tão perto.



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